Óleo De Coco: Mitos e Verdades

Conhecido por ter diversos benefícios, como ações anti-inflamatórias, antioxidantes e antibacterianas, e por auxiliar no emagrecimento, o consumo do óleo de coco gera muitas dúvidas, principalmente pelo fato de ele conter 90% de gordura saturada em sua composição.

O óleo de coco é extraído da polpa do coco fresco maduro, sendo composto por ácidos graxos saturados (caproico, caprílico, cáprico, láurico, mirístico, palmítico, esteárico e araquídico) e insaturados (oleico, palmitoleico e linolênico). Também, é rico em potássio, sódio, cálcio, magnésio, fósforo, vitaminas do complexo B e vitamina E.

Apesar de ser um óleo saturado (quanto mais saturada é a gordura, mais dura ela será), ele é líquido à temperatura ambiente. Isso acontece porque a maior parte dos ácidos graxos saturados presentes no óleo de coco são de cadeia média.

A mídia, ultimamente, vêm dando bastante ênfase para o óleo de coco: às vezes, ele aparece como um super alimento, outras como um vilão para a saúde. Afinal, será que ele faz bem ou não?

Primeiro, é preciso entender que nenhum alimento sozinho fará milagre! Para se obter os benefícios da comida, é necessário manter uma alimentação equilibrada como um todo. Segundo, sempre é importante consultar um médico ou especialista para que ele possa avaliar o que é melhor para você.

Óleo de Coco - Principais benefícios

Nesse texto, vamos revelar diversos estudos acerca do óleo de coco, verificando seus benefícios e malefícios. Acompanhe:

O óleo de coco aumenta o colesterol?

Por ser rico em gordura saturada, muitos temem seu consumo, por acreditarem que ele possa aumentar os níveis de colesterol e, consequentemente, provocar problemas cardíacos.

Acontece que a gordura saturada presente no óleo de coco é rica em triglicerídios de cadeia média (TCM), que são metabolizados de uma forma diferente: no trato digestivo, eles vão mais rapidamente para o fígado e são usados como uma fonte rápida de energia ou transformados em cetonas.

Muitos estudos vêm mostrando que o excesso de colesterol não está relacionado aos riscos de doenças cardiovasculares. Uma metanálise, publicada em 2015, no British Medical Journal, mostrou que “todos os dados cientificamente relevantes conhecidos até hoje sobre a ingestão de gordura saturada e doenças cardíacas não apoiam qualquer associação significativa entre gordura saturada e risco cardiovascular”. Além disso, o consumo de óleo de coco aumenta o HDL, conhecido como o colesterol do bem.

Portanto, colesterol alto não causa necessariamente problemas cardiovasculares. O que pode aumentar o risco de doenças cardíacas é a má alimentação com alto consumo de açúcares e alimentos industrializados, o sedentarismo, entre outros.

Óleo de coco emagrece?

Como já mencionado, nenhum alimento faz efeito sozinho. No geral, não existem evidências suficientes para afirmar que o consumo de óleo de coco leva à redução de peso. O que acontece é que os TCM do óleo de coco são mais fáceis de serem metabolizados que as demais gorduras saturadas, sendo rapidamente transformados em energia, evitando, assim, seu acúmulo.

Por isso, substituir óleos vegetais (soja, milho, canola e girassol) por óleo de coco é uma boa estratégia, se aliada à alimentação balanceada e prática de atividade física frequente. Além disso, não se deve consumir óleo de coco (nem outro alimento) de forma desenfreada, principalmente se você possui maus hábitos alimentares e é sedentário, porque as gorduras em geral possuem bastante calorias. Use-o no lugar dos óleos vegetais e margarina em refogados, grelhados, receitas de bolos e tortas e para untar e temperar, mas com moderação. Ao contrário dos óleos vegetais, o de coco não se torna tóxico quando aquecido.

Coco emagrece?

É anti-inflamatório e antioxidante?

Recentes pesquisas comprovaram que o óleo de coco pode desempenhar atividade anti-inflamatória, por elevar os níveis da interleucina 10, um poderoso agente para esse fim.

Também, é rico em vitamina E, um grande antioxidante. Portanto, consumir esse óleo pode reduzir marcadores de estresse oxidativo e inflamação, especialmente quando comparado com óleos vegetais.

É bom para o cérebro?

Há pesquisas que mostram que as cetonas (substâncias formadas após a metabolização de gorduras) podem ser uma fonte de energia alternativa para as células cerebrais com defeito e reduzir os sintomas da doença de Alzheimer, Parkinson, convulsão e epilepsia. Porém, esses resultados positivos apenas foram obtidos com uma dieta cetogênica, muito rigorosa, que teve baixa adesão e tolerabilidade.

Possui ação antibacteriana?

O ácido láurico representa quase metade dos ácidos graxos do óleo de coco e, quando digerido, forma uma substância chamada monolaurina. Ambas as substâncias são capazes de matar microrganismos nocivos, como bactérias, vírus e fungos. Sua eficácia já foi comprovada na destruição de Staphylococcus aureus – bactéria responsável por doenças graves, como pneumonia e sepse – e de Candida albicans – levedura responsável por infecções fúngicas em humanos.

 

Conclusão: o óleo de coco é uma boa fonte de gordura, assim como azeite de oliva, oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas), abacate e demais gorduras presentes naturalmente nos alimentos. Ele pode ser usado para substituir óleos vegetais e margarina, como tempero para saladas, refogado de legumes e carnes, em diversas receitas, entre outros. Contudo, não deve ser prescrito para prevenir ou tratar doenças, já que uma boa saúde não se resume apenas ao consumo de um alimento isolado, mas sim por alimentação saudável, prática de atividade física e visitas frequentes a médicos e especialistas.


Referências utilizadas neste conteúdo:


Óleo de coco: uma revisão sistemática. <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/129618/000974828.pdf?sequence=1> Acessado em 16 de setembro de 2018.

Posicionamento oficial da Associação Brasileira de Nutrologia a respeito da prescrição de óleo de coco. <http://abran.org.br/para-publico/posicionamento-oficial-da-associacao-brasileira-de-nutrologia-respeito-da-prescricao-de-oleo-de-coco/> Acessado em 16 de setembro de 2018.

Óleo de coco é realmente saudável? <https://www.bbc.com/portuguese/geral-42588520> Acessado em 17 de setembro de 2018.

Óleo de coco: esclarecendo com embasamento científico. <https://flaviopassos.com/oleo-de-coco-esclarecendo-com-embasamento-cientifico> Acessado em 17 de setembro de 2018.

A influência da suplementação de triglicerídeos de cadeia média no desempenho em exercícios de ultra-resistência. <http://www.scielo.br/pdf/rbme/v9n6/18938.pdf> Acessado em 17 de setembro de 2018.

Fatty Acids and Derivatives as Antimicrobial Agents. <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC444260/> Acessado em 17 de setembro de 2018.

Effects of beta-hydroxybutyrate on cognition in memory-impaired adults. <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15123336> Acessado em 17 de setembro de 2018.

Equivalence of lauric acid and glycerol monolaurate as inhibitors of signal transduction in Staphylococcus aureus. <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10762277> Acessado em 17 de setembro de 2018.


Este texto foi revisado pelo Profissional: Thais Karpowiski (conheça mais sobre ele(a) clicando no link)

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