Obesidade Infantil – Um problema que precisa ser discutido com urgência

A obesidade infantil é originária de um desequilíbrio energético que ocorre quando o número de calorias consumidas é superior ao número de calorias “gastas”, ocasionando ganho de peso.

Atualmente, o quadro é considerado um problema de saúde pública e afeta tanto os países subdesenvolvidos quanto os desenvolvidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o excesso de peso atinge, aproximadamente, 42 milhões de crianças menores de 5 anos em todo o mundo.

Segundo uma pesquisa do Ministério da Saúde, o excesso de peso entre crianças brasileiras vem crescendo a cada ano, principalmente naquelas entres 5 e 9 anos. Essa pesquisa comparou a quantidade de crianças com sobrepeso e obesidade em diversas faixas etárias entre os anos de 1975 a 2009. Os resultados foram alarmantes: os meninos obesos passaram de 2,9% para 16,6% e as meninas de 1,8% para 11,8%.

obesidade infantil no brasil

O que causa a obesidade?

95% dos casos de obesidade se devem à má alimentação, seja por fatores socioculturais, psicológicos, estilo de vida moderno (em que a pessoa acaba se alimentando, basicamente, de industrializados, devido à praticidade) ou sedentarismo. Os outros 5% estão relacionados a alterações hormonais, como da tireoide. Por isso, as principais causas da obesidade são a ingestão alimentar inadequada ou em excesso e o sedentarismo.

Na infância, os principais hábitos alimentares não saudáveis que podem desencadear a obesidade são: desmame precoce, alto consumo de alimentos ricos em açúcar e gorduras trans, baixo consumo de frutas e verduras, substituição do leite materno por alimentos ricos em carboidratos, entre outros.

Complicações relacionadas à obesidade

obesidade

Vários estudos mostram que o excesso de peso e a obesidade infantil estão relacionados a outros problemas, tais como:

  • Psicológicos (depressão, baixa autoestima, ansiedade, distúrbios alimentares);
  • Respiratórios (asma, apneia);
  • Ortopédicos (fraturas, doença articular degenerativa);
  • De crescimento (puberdade precoce, hipogonadismo);
  • Gastrointestinais (esteatose e fibrose hepática, cirrose, paniculite);
  • Dermatológicos (estrias, celulites);
  • Cardiovasculares (dislipidemias, hipertensão, inflamação crônica, doença coronariana);
  • Metabólicos (diabetes tipo 2);
  • Por complicações futuras (câncer).

Um dos grandes problemas da obesidade e que pouco se fala são os distúrbios psicológicos, como angústia, timidez, baixa autoestima, sentimento de culpa, vergonha, ansiedade, fracasso e isolamento, podendo tudo isso levar à depressão. Na infância, as crianças terão suas primeiras experiências de vida, sendo que, se elas não tiverem confiança e boa autoestima, é provável que fracassem em muitas das vivências, que serão lembradas por toda a vida.

[LEIA TAMBÉM: QUAIS OS RISCOS DA OBESIDADE INFANTIL?]

Além disso, existe o famoso bullyng, principalmente na fase escolar, o que pode piorar ainda mais o sentimento da criança. É por isso que, além de médico e nutricionista, é de suma importância a criança consultar, também, um psicólogo.

Tratamento e prevenção

receita de vitamina fruta para crianca

Devido à obesidade ser uma doença multifatorial, ou seja, ter diversas causas, ela é de difícil tratamento. Portanto, primeiramente, é preciso verificar quais são todos os fatores de risco, para assim buscar o controle do peso.

É importante detectar a doença e corrigi-la nos primeiros anos de vida, pois, quando uma pessoa se torna obesa já na infância ou na adolescência, a probabilidade de aparecimento de obesidade também na vida adulta é grande, o que prejudica imensamente a saúde e a qualidade de vida.

Desde muito cedo, o consumo alimentar exagerado está presente na vida da criança. Quando os pais ou cuidadores oferecem alimento de forma indiscriminada, como quando a criança chora ou faz “birra”, essa passa a associar os alimentos a qualquer situação de mal-estar, medo, frustração e angústia, como se a comida fosse compensar esses sentimentos. Outro fato é que crianças tendem a imitar o que pais e irmãos fazem.

Desse modo, a família é de extrema importância na construção dos hábitos alimentares da criança. Além do ambiente familiar, escola e mídia também influenciam na alimentação infantil.

O melhor jeito de “tratar” a obesidade (e todas as doenças) é prevenindo-a! Hábitos saudáveis, como alimentação adequada e equilibrada e prática de atividades físicas, devem ser estimulados desde cedo.

Os pais e parentes próximos têm a responsabilidade de auxiliar nesses bons hábitos no âmbito familiar. Já as escolas devem incentivar as aulas de educação física e de educação nutricional, bem como oferecer merendas saudáveis e restringir a venda de alguns produtos da cantina, como frituras, doces, refrigerantes e salgadinhos.

Em casos mais “graves”, há também o tratamento medicamentoso, que deve apenas ser usado se recomendado pelo pediatra.

Programas governamentais têm se mostrado importantes na prevenção e no tratamento da obesidade infantil. Um bom exemplo disso é a resolução estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que proibiu as propagandas de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gordura saturada, gordura trans, sódio e bebidas com baixo teor nutricional, com o objetivo de diminuir o incentivo, principalmente ao público infantil, a uma alimentação inadequada.

No Brasil, há diversas políticas que estimulam bons hábitos alimentares em crianças, principalmente de fase escolar, como o Programa Saúde na Escola, o Programa Nacional de Alimentação Escolar, a Regulamentação dos Alimentos Comercializados nas Cantinas Escolares, o Projeto Escola Saudável, a Promoção da Alimentação Saudável nas Escolas, os Dez Passos para a Promoção da Alimentação Saudável nas Escolas e a já citada Regulamentação de Propaganda e Publicidade de Alimentos.

A reeducação alimentar, com uma alimentação saudável e as quantidades de calorias e nutrientes adequados, bem como preferências alimentares, aspecto financeiro e estilo de vida, juntamente com a atividade física, são os aspectos mais importantes para o tratamento da obesidade infantil. Consultas a pediatras, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais da saúde devem ser frequentes, para maiores orientações.

Quer saber mais a respeito da obesidade infantil? Então, confira o conteúdo completo sobre reeducação alimentar infantil!


Referências utilizadas neste conteúdo:

Obesidade infantil: revisão bibliográfica. https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/6400.pdf

Prevalência de sobrepeso e obesidade infantil em instituições de ensino: públicas vs. privadas. http://www.scielo.br/pdf/rbme/v21n2/1517-8692-rbme-21-02-00104.pdf

Obesidade infantil: principais causas e a importância da intervenção nutricional. https://repositorio.unp.br/index.php/catussaba/article/view/1243/886

Obesidade infantil na percepção dos pais. http://www.scielo.br/pdf/rpp/v29n4/25.pdf

A obesidade infantil: um olhar sobre o contexto familiar, escolar e da mídia. https://online.unisc.br/seer/index.php/epidemiologia/article/download/6072/4635


Este texto foi revisado pelo Profissional: Thais Karpowiski (conheça mais sobre ele(a) clicando no link)

Ajude a melhorar ainda mais o site, avalie:

Sua avaliação servirá para que tenhamos uma noção da qualidade dos nossos conteúdos. Além de marcar a quantidade de estrelas que esse conteúdo merece, não esqueça de deixar seu comentário.

Deixe um Comentário