Doenças relacionadas à má alimentação entre crianças

Salgadinho, bolacha recheada, sorvete, chocolate… que criança não gosta? Muitos pais oferecem esses tipos de alimentos para agradar o paladar infantil. Porém, como já falamos em diversos artigos, uma alimentação com consumo excessivo de industrializados, açúcar e gorduras trans pode trazer consequências graves à saúde. Isso ainda pode piorar na infância, pois prejudica o crescimento, o desenvolvimento e até o processo de aprendizagem da criança, podendo acarretar em problemas futuros na fase adulta.

Atualmente, a principal consequência para uma má alimentação em crianças é a obesidade, que normalmente trás junto outros problemas como diabetes, pressão alta e dislipidemias (colesterol e triglicerídeos alterados).

Essa enfermidade se perpetua, na maioria das vezes, até a fase adulta: estima-se que cerca de 80% das crianças obesas permanecerão com o problema também quando adultas. A obesidade infantil pode ainda favorecer o surgimento de problemas ortopédicos, apneia do sono, alguns tipos de cânceres e distúrbios psicológicos.

[CONFIRA TAMBÉM: OBESIDADE INFANTIL E NA ADOLESCÊNCIA]

Outras doenças relacionadas a uma alimentação inadequada são as descritas, abaixo. Confira!

doença celíaca em crianças

Desnutrição

Nas últimas décadas, os índices de desnutrição infantil foram reduzidos no Brasil, mas a situação atual ainda exige atenção. As crianças acometidas por essa enfermidade correm o risco de uma série de doenças, além de que esses problemas afetam o crescimento e o desenvolvimento cognitivo.

Anemia

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que, em países em desenvolvimento, mais de 50% das crianças menores de 4 anos apresentam deficiência de ferro, principal causador da anemia. Baixo consumo de alimentos como carne, feijão e verduras acarretam na falta desse nutriente na alimentação.

Doenças cardíacas

O alto consumo de açúcares, carboidratos refinados e gorduras trans faz aumentar o colesterol e a glicemia, podendo evoluir para doenças cardíacas mais graves, como aterosclerose, infarto e derrame.

Osteoporose

Baixo consumo de cálcio – presente em leites, derivados, vegetais – e alto consumo de sódio – que aumenta a excreção renal de cálcio – podem levar a um quadro de osteoporose.  A densidade óssea de um indivíduo depende do pico de massa óssea adquirido a partir da infância, por isso é necessário que crianças e adolescentes desenvolvam a melhor qualidade possível de massa óssea, evitando fraturas na idade adulta.

Escolhas alimentares das crianças

como fazer crianca comer fruta e legumes

Por serem mais saborosos e atrativos, os produtos industrializados são os preferidos da molecada. Porém, além de conterem bastante gordura e açúcar, praticamente não apresentam nenhum nutriente, favorecendo o ganho de peso. Além disso, ao consumir esse tipo de “caloria vazia”, a criança estará deixando de consumir nutrientes necessários ao seu desenvolvimento, como ferro, cálcio, vitaminas e outros.

Importância da família

O primeiro contato da criança com os alimentos é pela amamentação. O leite materno é composto por inúmeros nutrientes, como hormônios e enzimas, que vão atuar sobre o crescimento e a maturação dos órgãos, o que afeta no desenvolvimento infantil.

Após a fase de aleitamento vem a introdução alimentar, sendo a família responsável pela formação do comportamento alimentar da criança, tendo os pais o papel de primeiros educadores nutricionais.

É importante que as crianças tenham bons hábitos alimentares desde cedo, evitando, assim, problemas de saúde futuros. Além disso, os responsáveis costumam ser o “espelho” dos filhos, ou seja, se os pais se alimentarem bem, os filhos também o farão. Dar o bom exemplo é primordial!

Importância do ambiente

receita de vitamina fruta para crianca

Quando começam ir à escola/creche, crianças na idade pré-escolar tendem a preferir alimentos com quantidade elevada de carboidrato, açúcar, gordura e sal, e baixo consumo de alimentos como vegetais e frutas. Essa tendência se deve à socialização alimentar da criança e depende, em grande parte, dos padrões da cultura alimentar do grupo ao qual ela pertence.

O governo brasileiro, nos últimos anos, tem promulgado ações de promoção de saúde que visam o combate da obesidade infantil, como o Programa Saúde na Escola, o Programa Nacional de Alimentação Escolar, a Regulamentação dos Alimentos Comercializados nas Cantinas Escolares, o Projeto Escola Saudável, a Promoção da Alimentação Saudável nas Escolas, os Dez Passos para a Promoção da Alimentação Saudável nas Escolas e a Regulamentação de Propaganda e Publicidade de Alimentos. Todas essas ações visam melhorar a saúde infantil, principalmente na idade escolar, garantindo o acesso a uma melhor alimentação e contribuindo para um melhor desempenho escolar.

O que fazer?

É muito difícil estimular uma criança a comer verduras e frutas, não é mesmo? Por isso, como já comentamos, o ideal é criar bons hábitos alimentares desde cedo. Uma criança que foi bem amamentada e incentivada desde a introdução alimentar a consumir mais alimentos naturais, frutas e vegetais, dificilmente terá problemas de saúde relacionados à má alimentação, além de que não precisará mudar de hábitos na fase adulta – o que também não é nada fácil.

Entretanto, o que fazer com aquelas crianças que adoram doces e não querem saber de “comida de verdade” de jeito nenhum? A seguir, vão algumas dicas básicas:

  • Consulte um pediatra e/ou nutricionista, para verificar como está a saúde da criança;
  • Não tente tirar todos os “alimentos ruins” de uma só vez, tenha paciência;
  • Varie a oferta de alimentos, pois cada um deles oferecerá um tipo de nutriente necessário à saúde;
  • Monte pratos coloridos e atrativos – crianças são bastante visuais;
  • Ofereça os alimentos de diversos jeitos – se a criança não gostar do alimento cru, tente refogado, cozido, misturado com outros, em vitaminas, sopas, etc.;
  • Não deixe bolachas, salgadinhos e doces à vista, deixando a criança pegar quando quiser – coloque-os em prateleiras mais altas, regulando o consumo;
  • Tente reproduzir, em casa, alimentos que a criança costuma gostar, substituindo por ingredientes mais naturais e pedindo para ela ajudar no preparo;
  • Deixe alimentos menos nutritivos para ocasiões especiais e não use-os para fazer chantagem, como “se você fizer toda a lição de casa, te dou um doce”.

Pais, familiares e pessoas próximas, como professores e colegas, são muito importantes na vida de uma criança, tendo papel fundamental, também, na criação de bons hábitos alimentares.

Quanto antes as boas orientações forem assimiladas, melhor será a relação da criança com a comida, evitando problemas de saúde que possam comprometer o crescimento e o desenvolvimento. A consulta com pediatras e especialistas deve ser feita periodicamente, para maiores orientações e avaliação da situação de saúde da criança.


Referências utilizadas neste conteúdo:

1- O papel da amamentação ineficaz na gênese da obesidade infantil: um aspecto para a investigação de enfermagem. Acessado em 26 de novembro de 2018. <http://www.scielo.br/pdf/ape/v19n4/v19n4a14>

2- Má alimentação: fator que influencia na aprendizagem de crianças de uma escola pública. Acessado em 26 de novembro de 2018. <https://aps.ufjf.emnuvens.com.br/aps/article/view/143/226>

3- Aconselhamento em alimentação infantil: um estudo de intervenção. Acessado em 26 de novembro de 2018. <http://www.producao.usp.br/bitstream/handle/BDPI/9948/art_REA_Aconselhamento_em_alimentacao_infantil_um_estudo_de_2008.pdf?sequence=1&isAllowed=y>

4- Políticas públicas de nutrição para o controle da obesidade infantil. Acessado em 26 de novembro de 2018. <http://www.redalyc.org/pdf/4060/406038939024.pdf>

5- Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil. Acessado em 26 de novembro de 2018. <http://www.cookie.com.br/site/wp-content/uploads/2014/07/Desenvolvimento-do-comportamento-alimentar-infantil.pdf>

6- Anemia em crianças menores de 3 anos que freqüentam creches públicas em período integral. Acessado em 26 de novembro de 2018. <http://www.scielo.br/pdf/jped/v78n1/v78n1a11>

7- Desnutrição infantil. Acessado em 26 de novembro de 2018. <https://www.unicef.org/brazil/pt/Pags_040_051_Desnutricao.pdf>

8- Fatores de risco para as doenças cardiovasculares em crianças e adolescentes no Brasil. Acessado em 26 de novembro de 2018. <http://www.sbcm.org.br/v2/index.php/noticias/noticias-da-saude/805-sp-1049613956>

9- Osteoporose na infância e na adolescência. Acessado em 26 de novembro de 2018. <http://www.jped.com.br/conteudo/03-79-06-481/port.pdf>

10- Analisando conhecimentos e práticas de agentes educacionais e professoras relacionados à alimentação infantil. Acessado em 26 de novembro de 2018. <https://repositorio.unesp.br/handle/11449/7989>


Este texto foi revisado pelo Profissional: Thais Karpowiski (conheça mais sobre ele(a) clicando no link)

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