Ansiedade generalizada: principais sintomas, tratamento e cuidados.

A Ansiedade é uma reação normal que todo mundo tem diante ao novo, gerando medo ou expectativa. Veja aqui como funciona a ansiedade generalizada, sintomas e mais.

A Ansiedade é uma reação normal que todo mundo tem diante ao novo, gerando medo ou expectativa. O grande problema é quando esses sentimentos são exagerados ou surgem por motivos sem grande valor.

A doutora Christina de Almeida (CRM 20758 PR- RQE 14421), psiquiatra e especialista em psiquiatria biológica, comenta que a ansiedade é considerada boa até certo ponto, porque serve como precaução em situações de risco, porém, quando começa a interferir na qualidade de vida, torna-se um problema.

Esse excesso, é considerada ansiedade generalizada, um distúrbio mental em que a preocupação e expectativa descomedidas são comuns. Inclusive, esses sintomas aparecem de forma persistente e a pessoa não consegue controlá-los. Como resultado, quem possui esse tipo de transtorno começa a ter impactos negativos no seu dia a dia, deixando de realizar atividades básicas – o que causa problemas nos âmbitos pessoal e profissional.

Curiosamente, a ansiedade generalizada é um problema comum no mundo, especialmente entre os brasileiros, atingindo mais de 9% da população em todo o território nacional, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Segundo a doutora Christina, esse número tem crescido nos últimos anos, devido à maior procura pelo tratamento e pela informação da mídia sobre a doença.

Esse tipo de transtorno pode ser identificado e tratado facilmente. Confira, aqui, detalhes sobre a ansiedade generalizada, como reconhecê-la e saiba a qual profissional recorrer para obter ajuda e tratamento.

Principais causas da Ansiedade Generalizada

Ansiedade generalizada: principais sintomas, tratamento e cuidados.

1. Fatores externos

Entram nessa lista qualquer questão que a pessoa não tenha total controle, o que acaba por tornar o indivíduo inseguro e despertar um quadro de ansiedade generalizada.

É possível apontar alguns fatores como os principais motivadores da doença, por exemplo, situação de pobreza, recessão econômica e desemprego. Outros casos comuns são pressão e estresse no trabalho, círculo social ou âmbito familiar. Ademais, viver situações novas também pode desencadear esse distúrbio.

2. Traumas

Passar por situações traumatizantes leva ao desenvolvimento de ansiedade generalizada, pois gera apreensão e medo de vivenciar tudo novamente, estimulando o surgimento do transtorno.

3. Personalidade

A personalidade da pessoa, bem como a sua forma de encarar diferentes situações do dia a dia pode levar ao surgimento do problema, especialmente se os pensamentos tenderem ao incerto, ao medo, à insegurança e ao perfeccionismo, por exemplo.

4. Uso de drogas lícitas e ilícitas

Entre as principais, destaque para álcool, cigarro e medicamentos, como os benzodiazepínicos. Tais substâncias geram sintomas de ansiedade e podem agravar a doença.

5. Hipergenética

Além dos fatores externos, a psiquiatra comenta que a genética pode aumentar as chances da doença, pela alteração comum nos neurotransmissores, principalmente na serotonina, que, quando em conjunto com fatores externos, desencadeiam a condição com mais facilidade.

Consequências da Ansiedade Generalizada

O distúrbio de Ansiedade Generalizada pode trazer consequências graves aos pacientes, principalmente quando não há tratamento ou reversão desse quadro o quanto antes. Entre as principais consequências, destaque para:

1. Depressão

Pacientes com transtorno de ansiedade generalizada são mais suscetíveis a desenvolverem a depressão.

2. Autodepreciação

Pessoas com esse tipo de transtorno tendem a autodepreciar-se, diminuindo-se em qualquer tipo de relação que tenham, o que acaba por comprometer seu círculo social e profissional.

3. Fobia

O paciente entra em um círculo vicioso de tentar evitar a situação que lhe causa ansiedade, desenvolvendo uma aversão/fobia a ela. Em alguns casos, o problema pode gerar crises de pânico e o agravamento da saúde mental.

4. Abuso de drogas

É comum pacientes diagnosticados fazerem uso, sem moderação, de drogas lícitas ou ilícitas, em uma tentativa de aliviar os sintomas da ansiedade generalizada. Em situações assim, há um grande risco de desenvolverem dependência.

Sintomas da Ansiedade Generalizada

Ansiedade generalizada: principais sintomas, tratamento e cuidados.

A ansiedade generalizada apresenta sintomas específicos, sendo fácil reconhecê-los e identifiá-los por meio da observação. De modo geral, os acometidos vivenciam três ou mais desses sintomas:

  1. Tensão e nervosismo em grande parte do dia;
  2. Constante mau presságio, como se algo ruim estivesse prestes a acontecer;
  3. Dificuldade de concentração;
  4. Sensação de medo durante quase todo o dia;
  5. Obsessão pelo motivo que gera a ansiedade;
  6. Preocupação excessiva com a realidade;
  7. Insônia e pesadelos;
  8. Irritabilidade e agitação;
  9. Dor no peito e taquicardia;
  10. Falta de ar;
  11. Sudorese;
  12. Tremor pelo corpo;
  13. Fraqueza;
  14. Náusea;
  15. Dor de barriga;
  16. Diarreia;
  17. Tensão muscular.

A doença, segundo a doutora Almeida, ainda possui uma grande dificuldade quanto ao tratamento, já que o paciente acredita ser normal ter esses sentimentos. Todavia, é importante entender que a ansiedade generalizada é uma alteração neuroquímica, que precisa de tratamento adequado.

Como é feito o diagnóstico?

A doutora explica que o diagnóstico da TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada costuma ser clínico, apenas avaliando os principais sintomas já citados.

A importância do tratamento da ansiedade generalizada

Embora possa parecer um problema menor, especialmente em um primeiro momento, é essencial tratar a ansiedade generalizada, para que tal distúrbio mental não evolua, causando complicações na saúde e vida social/profissional da pessoa.

Mas, qual médico procurar? Os especialistas são o psiquiatra e o psicólogo, sendo que ambos podem diagnosticar e recomendar o melhor tratamento para o paciente, considerando suas especificidades. O psiquiatra faz a análise da doença do ponto de vista químico, receitando o medicamento mais indicado de acordo com o paciente. Já o psicólogo faz o tratamento do enfermo em relação aos seus sentimentos, quando em contato com os gatilhos causadores da ansiedade, geralmente por meio da psicoterapia.

A psicóloga Luana Giacomelli (CRP 08/22693) alerta para a importância do paciente viver o hoje, sem se preocupar com o ontem e nem com o amanhã – uma prática diária necessária para quem convive com a doença. A psicóloga Pâmela Horst (CRP -8/23063) destaca que o tratamento é essencial, porque, além do sofrimento, a doença aumenta as chances de suicídio.

Luana conta que o paciente em tratamento precisa aprender a identificar quais são os gatilhos que causam as crises de ansiedade e saber lidar com eles. Ela ainda destaca que um dos maiores problemas no tratamento da TAG é a medicamentação ao invés da prevenção ou ensino sobre as causas, menosprezando as origens e focando apenas no tratamento imediato.

A psicóloga Pâmela comenta que os resultados podem variar de pessoa para pessoa, mas que, com o acompanhamento psiquiátrico alinhado com o psicológico, em poucos meses é possível verificar frutos. Ela também destaca a importância de seguir o tratamento até o fim, para a prevenção de recaídas.

A psiquiatra Almeida também explica que, durante a neuroadaptação do uso dos medicamentos, podem existir efeitos colaterais, como: náuseas, dores de cabeça, tonturas e dores musculares, mas que, depois de 15 dias, tendem a passar – caso contrário, é necessário trocar de medicação.


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