Existe Uma Alimentação Adequada Para Quem Tem Alzheimer?

A doença de Alzheimer é uma forma de demência bastante comum em idosos, sendo caracterizada por uma diminuição das funções cognitivas, levando a alterações comportamentais, perda de memória e dificuldade para realizar tarefas diárias, como tomar banho, alimentar-se, vestir-se, falar, entre outros. Dependendo do estágio, pode provocar uma situação de total incapacidade e dependência.

Essa doença ainda não tem cura, porém existem alguns fatores de risco que podem ser prevenidos, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, inatividade física e má nutrição. Além disso, um estilo de vida saudável pode auxiliar na prevenção e na progressão da doença.

Um dos fatores de maior importância para a saúde dos neurônios é o fornecimento de nutrientes necessários à manutenção do normal funcionamento do cérebro. Vários estudos têm encontrado efeitos positivos do ômega 3 e de micronutrientes como as vitaminas do complexo B, vitaminas E, C e D sobre os neurônios, principalmente no decorrer do processo de envelhecimento.

Abaixo, veremos mais detalhadamente sobre esses nutrientes e algumas formas de melhorar a alimentação dos pacientes acometidos pela doença.

Vitamina C

Existe Uma Alimentação Adequada Para Quem Tem Alzheimer?

Poderoso antioxidante que protege os neurônios do stress oxidativo, a vitamina C tem papel na síntese de neurotransmissores (como a dopamina e noradrenalina), sendo igualmente necessária para reciclar a vitamina E em sua forma antioxidante.

Fontes de vitamina C: frutas cítricas (laranja, limão, tangerina), kiwi, morango, folhosos verdes-escuros, brócolis e pimentão.

Vitamina E

Também é um antioxidante importante para o funcionamento dos neurônios, sendo um constituinte das membranas destes. Essas membranas são ricas em ômega 3, que é muito sensível aos radicais de oxigênio, derivados do stress oxidativo das células. Deste modo, uma redução nos níveis de antioxidante pode afetar negativamente as funções do cérebro.

Fontes de vitamina E: azeite de oliva, oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas) e semente de girassol.

Selênio

O selênio é um nutriente que, quando ligado à cisteína, permite que a sua incorporação a proteínas, cuja função é fundamental para diminuir o stress oxidativo – o que é particularmente relevante na prevenção e progressão da doença de Alzheimer.

Fontes de selênio: carnes, peixes, ovos, nozes e cereais integrais.

Vitaminas do complexo B

A homocisteína é um aminoácido produzido após a digestão de carnes e laticínios, que surge no organismo como um produto do metabolismo da metionina. O aumento dos níveis de homocisteína é um fator de risco para a atrofia cerebral, déficit cognitivo e demência.

O ácido fólico e a vitamina B12 são necessárias para a conversão da homocisteína em metionina e a vitamina B6 para a conversão de homocisteína em cisteína, o que faz com que déficits dessas vitaminas levem a níveis elevados de homocisteína no sangue.

Além disso, a síntese de alguns compostos do sistema nervoso central, como a dopamina e noradrenalina, são dependentes das vitaminas B2, B6, B12, da nicotinamida, do ácido fólico e da vitamina C. A deficiência desses micronutrientes acelera o envelhecimento, o cancro e a deterioração dos neurônios, causando potencialmente o declínio da função do cérebro, com o avançar da idade.

Fontes de vitaminas do complexo B: carnes, peixes, ovos, leguminosas, cereais integrais, folhosos verdes-escuros, oleaginosas, laticínios, frutas e hortaliças.

Vitamina D

Estudos vêm mostrando que a vitamina D é necessária para o desempenho cognitivo, visto que existem receptores dessa vitamina localizados em áreas do cérebro responsáveis por planeamento, processamento e formação de novas memórias.

Em idosos, baixos níveis de vitamina D aumentam o risco de desenvolvimento de depressão, osteoporose, doença cardiovascular e diabetes, que, por sua vez, são fatores de risco para o desenvolvimento de demências.

Fontes de vitamina D: peixes, gema de ovo e leite.

Gorduras

O excesso de consumo de gordura saturada pode diminuir o desempenho cognitivo e aumentar o risco de doenças cardiovasculares e diabetes que, por sua vez, estão associadas a um aumento do risco de Alzheimer. Em contrapartida, uma alimentação contendo gorduras insaturadas diminui o risco.

Estudos têm investigado a relação entre a ingestão de ácidos graxos e ômega 3 e o desenvolvimento de Alzheimer, sugerindo-a como um fator de proteção, pois atua na participação da estrutura e nas funções da membrana celular, na modulação da inflamação, na regulação da função imune e do stress oxidativo e na alteração da produção e atividade de neurotransmissores.

Fontes de gorduras insaturadas e ômega 3: peixes, oleaginosas, sementes de linhaça e chia.

Nutrientes que podem piorar o Alzheimer

Existe Uma Alimentação Adequada Para Quem Tem Alzheimer?

Além da gordura saturada, o alumínio e o cobre podem afetar o cérebro, por serem considerados neurotóxicos.

Estudos realizados no Reino Unido e na França encontraram um aumento da prevalência de Alzheimer em áreas onde a água da torneira continha maiores concentrações de alumínio. Outros estudos salientaram uma potencial ligação entre o cobre e o colesterol na doença de Alzheimer, sugerindo que uma elevada ingestão dietética de cobre, de gordura saturada e trans pode acelerar o declínio cognitivo.

Como melhorar a alimentação de portadores da doença?

É comum que pacientes com doença de Alzheimer tenham dificuldades para se alimentar, devido a vários fatores, como esquecimento, dificuldade para engolir ou mastigar, diminuição da sensação do sabor dos alimentos, falta de apetite, falta de coordenação motora, entre outros.

Por isso, é importante que o paciente tenha um familiar ou cuidador treinado para auxiliar na realização dessa e de outras tarefas.

Abaixo, veremos algumas formas de melhorar a alimentação desses pacientes:

  • Alterar a textura dos alimentos para a forma pastosa, assim será mais fácil de mastigar/engolir;
  • Utilizar vários temperos e ervas para deixar o alimento com sabor mais acentuado;
  • Cortar os alimentos de forma que o paciente com falta de coordenação motora consiga comer com colher ou com as mãos;
  • Montar pratos coloridos e atrativos para estimular o apetite;
  • Estimular o consumo de água: deixar um copo de água ao lado da comida na hora das refeições, utilizar copos ou garrafas coloridas para chamar a atenção, oferecer outros tipos de bebidas ao longo do dia (quente e frias, como chás, café, sucos, vitaminas) e incluir alimentos que sejam ricos em água, como frutas, sopas e gelatinas.

Além dessas, existem inúmeras outras maneiras de melhorar a alimentação dos portadores de Alzheimer, tudo vai depender do grau em que a doença se encontra e das condições físicas e psicológicas do paciente.

Existe uma dieta específica para Alzheimer?

Como já mencionado, a doença de Alzheimer não tem cura, mas o diagnóstico precoce, os medicamentos e a alimentação saudável podem prevenir e diminuir o avanço da doença.

Com base no que foi citado a respeito dos nutrientes que podem aumentar/diminuir os sintomas, têm-se as seguintes orientações:

  • Consumir, diariamente, frutas, verduras e legumes;
  • Substituir “carboidratos brancos” (pão, massas e açúcar) por carboidratos integrais (aveia, tubérculos, arroz integral);
  • Ingerir peixes, pelo menos, 2 vezes por semana;
  • Diminuir o consumo de gordura saturada e trans (margarina, sorvete, chocolate, bolachas, salgadinhos, produtos industrializados e frituras);
  • Beber bastante água;
  • Incluir, na alimentação, sementes oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas, amendoim, pistache e macadâmia);
  • Diminuir o consumo de alumínio e cobre – evitar o uso frequente de utensílios de cozinha fabricados com esses materiais; minimizar a ingestão de antiácidos, fermento em pó e outros produtos que contenham alumínio; e diminuir o consumo de alimentos que contenham cobre, como vísceras (fígado, coração, rins, miolo), carne de porco, pato, marisco, moluscos, leguminosas (feijão, grão, ervilhas e lentilhas), cogumelos, nectarina e chocolate;
  • Utilizar suplementos alimentares (apenas se recomendado por médicos ou nutricionistas).

Referências utilizadas neste conteúdo:

Estado nutricional da doença de Alzheimer. https://www.researchgate.net/profile/

Nutrição e doença de Alzheimer. https://www.alimentacaosaudavel.dgs.pt

Características de mastigação e deglutição na doença de Alzheimer. http://www.scielo.br/pdf/rcefac/2011nahead/110-10.pdf>

Homocisteína e transtornos psiquiátricos. http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbp/v26n1/a13v26n1.pdf

Doença de Alzheimer: a necessidade de uma atenção diferenciada entre idosos.  http://online.unisc.br/

A suplementação de ômega 3 na doença de Alzheimer: uma revisão sistemática. https://www.lume.ufrgs.br/


Este texto foi revisado pelo Profissional: Thais Karpowiski (conheça mais sobre ele(a) clicando no link)

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