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No início da década de 1990, a musculação (também chamada de treinamento de força com pesos ou, mais corretamente, exercício físico resistido), não era indicada como uma forma de combater os males que afetam o coração. Alguns especialistas até acreditavam que este tipo de exercício pudesse acarretar problemas ao sistema cardiovascular.
No entanto, nos últimos anos, essa modalidade de exercício físico tornou-se conhecida como uma nova arma para a prevenção e o tratamento das diversas doenças cardiovasculares. Muitas pesquisas sugerem que o exercício resistido ou musculação, quando prescrito e supervisionado de forma apropriada, apresenta efeitos favoráveis em diferentes aspectos da saúde de qualquer indivíduo.
Neste contexto, podemos citar: um aumento da força muscular com melhoria da resistência aos esforços, bem-estar mental e social, além de um impacto positivo sobre fatores de risco cardiovasculares (como a obesidade, hipertensão arterial e o diabete melito).
Baseados nas adaptações neuromusculares e nos efeitos de aumento na força e na resistência muscular, muitos especialistas passaram a aplicar a musculação como parte dos programas de exercícios físicos para os pacientes com doenças cardíacas.
Dentre as diversas adaptações promovidas pela musculação no paciente cardíaco, podemos citar: aumento na capacidade de realizar atividades da vida diária, incremento na tolerância aos exercícios aeróbicos (como andar, pedalar ou subir escadas), prevenção na perda de força e massa muscular observada com o avanço da idade ou naqueles pacientes submetidos a programas de emagrecimento e, por último, atenuação das respostas cardiovasculares frente aos esforços (como aumento excessivo da frequência cardíaca e da pressão arterial).
Mesmo que ainda exista uma carência de grandes estudos clínicos que tenham avaliado a eficácia desse tipo de treinamento no tocante à prevenção de complicações cardiovasculares, dados observacionais indicam uma diminuição no risco de infarto do miocárdio em praticantes de musculação.
Em um estudo, chamado de Health Professionals Follow-up Study, a prática semanal de 30 minutos ou mais de musculação esteve associada a uma diminuição de 23% no risco de ocorrência de infarto do miocárdio não-fatal ou doença cardiovascular fatal. Nos dias de hoje, emergem evidências adicionais relacionadas à musculação, em pessoas saudáveis ou portadoras de doença cardiovascular, as quais possibilitam maior entendimento dos efeitos já conhecidos, ao tempo em que se reforçam as perspectivas de uso da musculação na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares.
Em pacientes cardíacos, existe uma recomendação genérica que a musculação seja um complemento à sessão do exercício aeróbico (caminhar, correr ou pedalar), devendo ser aplicada aos diversos grupos musculares, cerca de 30 a 45 minutos, cerca de duas vezes por semana. Sugere-se que sejam realizadas séries com várias repetições (12 até 15 vezes), cuja intensidade não deverá ultrapassar 50% da carga máxima total suportada pelos grupos musculares que estão sendo exercitados.
Texto revisado por Nícia Padilha.

